Minestrone de outono

Hoje trago uma pequena viajem até à Toscana na Itália, acompanhar esta viajem mostro mais uma das bonitas panelas da Le Creuset. Quando olhei para esta panela pela primeira vez pensei logo que tinha de fazer uma receita com muito sabor, genuína e com uma bonita cor. Foi então, que me lembrei de uma sopa Italiana - a minestrone, que é conhecida por todos nós e que provavelmente até já a provaram. Como o meu marido diz, isto é nada mais nada menos, do que uma sopa da pedra mas sem a pedra.

Quando pensei em fazer uma minestrone, andei pelos meus livros de culinária e encontrei imensas receitas. Acabei por me focar neste livro do Jamie e neste livro encontrei uma pequena introdução que achei bastante importante partilhar neste post.

Depois de três tentativas, esta foi a melhor minestone que eu já fiz, aperfeiçoei mais ao gosto cá de casa e acreditem que ficou fantástica.


Deixo aqui as regras que o Jamie fala no seu livro, espero que ajude.

Regra número 1 - o caldo
A minestrone pode ser feita com água ou com caldo de legumes, mas as mais impressionantes que eu comi eram feitas com caldo muito leve que se obtém ao fazer bollito misto (um misto de carnes cozidas). Sugiro que ou use um caldo de galinha leve ou faça o que eu, por vezes, faço - cozo um pernil de porco com um bocado de toucinho fumado, um pouco de vinho, pimenta em grão e louro e deixo em lume brando durante várias horas. Depois, uso este caldo para fazer a minha minestrone. (O pernil sabe lindamente servido com feijão, ou desfiado em crostini). Cozer um pernil fumado assim pode parecer muito britânico, mas é muito frequente fazê-lo na Toscana. Por isso, apesar de o caldo de galinha funcionar lindamente, lembrei-me de lhe contar este segredo, para o ajudar a deslumbrar as pessoas.

Regra número 2 - o soffritto
Isto quer dizer saltear, lentamente, os legumes (coisas como cebola, aipo, alho e, nesta sopa, cenouras e funcho) para obter uma base com um sabor incrível. É um primeiro passo muito importante quando se está a fazer uma sopa porque ajuda a unir e a intensificar todos os sabores. Verá que o soffritto é usado na base de risotto em caldos e molhos por toda a Itália.

Regra número 3 - a sazonalidade dos ingredientes
Pode até acertar nas duas primeiras regras, mas, se a for servir a um italiano e os ingredientes não forem os da época nem estiverem disponíveis no mercado local, torná-lo-ão por um idiota! Ou seja, se for Inverno e estiver a usar espargos e ervilhas, está errado. Se for o início do Verão na Grã-Bretanha e estiver a usar repolho (quando devia estar a usar espargos e ervilhas), também não é lá muito esperto. É importante acertar nos legumes da época. Quando fiz esta receita, estava na Toscana no início do Outono, por isso estávamos a mudar de estação e de época de legumes.



Ingredientes: 8 pessoas
200g de feijão cannellini ou borlotti  (eu usei feijão seco e feijoca, demolhado 24 horas)
1 folha de louro
1 tomate, esmagado
1 batata pequena, descascada
sal, pimenta e mostarda acabada de moer
azeite q.b.
4 fatias de bacon fumado, cortado em pedaços
2 cebolas vermelhas, pequenas, finamente picadas
1 cenouras, descascadas e cortadas em pedaços
2 talos de aipo, cortados em pedaços pequenos
1/2 cabeça de funcho, picado
3 dentes de alho, descascados e finamente picados
1 pé de manjerição, separar as folhas dos talos
2 latas de tomate em calda de boa qualidade (usei só uma)
1 copo de vinho tinto (usei 1/2 de vinho do Porto)
2 courgetes pequenas, partidas em pedaços pequenos
200g de couve lombarda, espinafres em folha
500g de caldo (galinha, presunto ou legumes)
55g de massa seca (usei várias que tinha cá em casa)
1 colher de sopa de açúcar mascavado (opcional)
microvegetais de rabanetes Life in a bag q.b.

Ponha os feijões de molho 1 dia antes de pensar fazer a receita. 

Caso use feijões de lata (ignore o paragrafo abaixo)

Coloque os feijões num tacho com água com a folha de louro, o tomate esmagado e a batata - isto vai dar sabor aos feijões e amolecer as cascas. Coza até estarem moles (prove para ver).  Têm de ficar moles. Os feijões secos podem demorar até uma hora, mas vá verificando a partir dos 25 minutos. Escorra (e reserve cerca de meio copo da água da cozedura) e deite fora o louro, o tomate e a batata. Tempere com sal, pimenta e um fio de azeite.


Enquanto os feijões estão a cozer: faça o soffrito. Aqueça uma boa quantidade de azeite na panela, junte o bacon, as cebolas, as cenouras, o aipo, o funcho, o alho, e os talos de manjericão finamente picados. Deixe refogar, lentamente, em lume brando, com a tampa semidestapada, durante 15 a 20 minutos, até estar mole mas sem queimar. Junte os tomates (lata), as curgettes e o vinho do porto e deixe refogar, suavemente, mais 15 minutos.

Agora, junte a couve lombarda, o caldo e os feijões. Junte a massa (use a que tiver, até pode ser esparguete partido em pedaços pequenos). Mexa e continue a cozer, lentamente, até a massa estar cozida. Minutos antes de desligar junte as folhas de espinafres.


Se lhe parecer que a sopa está demasiado grossa, junte mais um bocadinho de caldo ou da água da cozedura dos feijões para a diluir um bocado. Prove e tempere com sal e pimenta - caso sinta que a sopa está demasiada acida, junte o açúcar.

Sirva polvilhada com as folhas picadas de manjericão e um pouco de azeite extra virgem. Ponha o parmesão para todos se servirem.

Pargo no forno com batatinhas e abóbora

Cá em casa tentamos comer peixe pelo menos 2 a 3 vezes durante a semana e quando o meu marido "deixa", pelo menos uma vez, comemos uma refeição vegetariana. Mas por vezes dou com ele a ir directamente à dispensa, abrir uma lata de conserva para acompanhar uma refeição vegetariana, homens!

Esta receita vem a propósito da mistura de especiarias que publiquei a semana passada, aqui está uma boa solução para utilizar a especiaria da paella, num prato perfeitamente banal e sem qualquer ligação com Espanha.

Adoro comida com fruta, habitualmente é usada mais em pratos de carne. Desta vez, arrisquei a usar umas uvas num prato de peixe, também sei que as uvas não ficam propriamente bonitas depois de irem ao forno, mas eu adorei o sabor que juntamente com as batatas e a abóbora combinam na perfeição.

Penso que a época de refeições de forno, está oficialmente aberta, nós por cá adoramos.

Até para a semana!


Ingredientes: (2 pessoas)
1 pargo fresco (1kg)
1 ramo de tomilho limão
1/2 cebola (média)
1 cacho de uvas Red globe
azeite q.b.
mostarda e pimenta de doer q.b.

3 batatas médias
300gr de abóbora (eu usei da moranga)
1 colher de sopa de azeite
1 colher de chá de especiarias para paella
sal de pimenta d'espelette q.b.
2 talos de alecrim fresco

Pré aqueça o forno a 200º

Amanhe o peixe, lave e retire o excesso de água com um guardanapo ou deixe secar ao ar se tiver tempo. Recheie o peixe com folhas de tomilho fresco e caso goste, junte umas uvas.

Numa travessa própria para ir ao forno coloque, um fio de azeite, a cebola cordada em gomos e as uvas, regue com mais um fio de azeite e coloque alguns talos de tomilho limão.


Junte o peixe e tempere com, mostarda em grão, pimenta moída e sal (eu usei sal preto com comprei aqui), junte mais um fio de azeite por cima e leve ao forno até o peixe ficar cozinhado e as uvas um pouco murchas.


Descasque as batatas e parta em palitos (tipo gomos de laranja), descasque a abóbora da mesma forma e num tabuleiro com 1 colher se sopa de azeite, junte o sal, a especiaria da paella, e as folhas de alecrim, misture tudo muito bem com as mãos e coloque na prateleira de cima do forno.

No meio da cozedura, caso seja necessário, mude a ordem dos tabuleiros do forno ou baixe a temperatura. 

Retire e sirva com uma saladinha de agrião e tomate as uvas e a cebola.


Especiaria para paella e não só


Quando alguém vem a minha casa pela primeira vez, pergunta sempre a mesma coisa. Usas estas especiarias todas? Eu respondo, sim uso. Uso algumas só para determinados pratos, outras em misturas, mas de uma coisa é certa, acabo sempre por as usar. Não consigo ter coisas guardadas em casa que não goste ou use, isto acontece em tudo, odeio acumular tralha desnecessária. Eu sei que isto vindo de uma mulher pode parecer estranho, mas é a pura verdade. 

Há dias alguém me perguntou se eu usava a especiaria que colocam na paella. Apesar de raramente fazer paella, uso! Compro uma mistura óptima em Sevilla, que adoro :) Mas hoje trago uma que fiz em substituição, porque a de Sevilla já estava no fim. Esta mistura é um exemplo disso mesmo, uso-a em vários pratos, desde batatas, arroz, carnes, peixes, molhos e muito mais. 

Se a quiserem fazer, têm de ter em conta que vai dar uma cor alaranjada aos alimentos, um pouco à semelhança da especiaria usada na paella.

O conselho que eu dou quando ofereço uma especiaria a alguém, é para a usarem onde gostarem. Não se limitem a usar o caril só para fazer caril, inventem, criem! Ok, pode correr mal! Mas se assim for, na semana a seguinte mudam de estratégia.

Falando desta especiaria, adoro o toque que o louro dá à comida e acho que a paprika doce, dá um sabor meio fumado fantástico aos pratos. Se quiserem partir desta base, podem misturar outras especiarias que gostem, arrisquem!

Eu por exemplo, aquelas misturas já pré-feitas como garam masala ou caril, não as consigo comer. Levam sempre cominho ou cravinho, e infelizmente não suporto o cheiro nem o sabor destas duas especiarias. Essa foi a grande razão pela qual comecei a criar as minhas misturas, porque as de compra acabavam sempre por ir para o lixo. Agora consigo comer um caril ou usar garam masala à minha maneira e sem ficar mal disposta. Acreditem que estas experiências fizeram-me aprender e pesquisar muito sobre este mundo infinito das especiarias, que agora tanto me fascina.

Deixo-vos a minha nova experiência, para a semana mostrarei uma receita onde a usei para verem o resultado.

Boa semana!

Ingredientes: (15cl)
1 noz moscada
2 colheres de sopa de manjerona
2 colheres de sopa de ervas de provence
2 colheres de sopa de coentros em pó
2 colheres de sopa de paprika doce
4 colheres de sopa de açafrão das Índias
4 folhas de louro seco

Com uma faca pique o mais pequeno que conseguir as folhas de louro, rale a noz moscada e misture com as restantes especiarias num almofariz. Moa tudo muito bem durante uns minutos e sentirá um aroma fantástico. Guarde num frasquinho bem fechado e use quando bem lhe apetecer.

Eu como ando viciada é capaz de ser bem umas 3 vezes por semana.

Salada de batata doce, espinafres e maçã







Senti que o outono chegou nestes dois últimos dias, em que eu já não consegui sair de casa sem um casaco de malha, sempre adorei estes primeiros dias de outono. Há tanta coisa boa para comer nesta altura do ano, que ideias não faltam para novas receitas e também repetir as que só me arrisco a fazer por agora, como esta, que adoro e apesar de saber que existem castanhas congeladas à venda durante todo o ano, e eu, até sou adepta de congelar coisas para mais tarde consumir... mas confesso que as castanhas não consigo, prefiro sempre as da época.

Hoje é dia de batata doce, o meu marido odeia, mas lá tento assim levemente colocar em algumas receitas, mas com pouca sorte, porque ele acaba sempre por torcer o nariz e resmungar como fez nesta. Este método de fazer as batatas é fantástico, principalmente para quem, como eu, tenta não fritar nada em casa. Ficam super crocantes e nem se nota que não são fritas, acreditem. O método foi inspirado numa receita dos Green Kitchen Stories. A receita original podem encontrar no blog da Lia, já traduzida para Português.

Eu juntei às batatas, nabo cru, maçã, espinafres e aipo, reguei com um vinagrete rápido e acompanhei com um bife grelhado.

Acreditem que é uma salada que sabe a outono!



Ingredientes salada: 4 pessoas
1/2 nabo cru
1 maçã encarnada
2 batatas doce (médias)
2 colheres de sopa de azeite
1/2 colher de sopa de paprika doce
2 mãos cheias de espinafres (folhas)
1/2 talo de aipo (parte das folhas)

Ingredientes vinagrete: 1 dose
4 colheres de sopa de azeite
2 colheres de vinagre de cidra
1 colher de chá de mostarda Dijon
sal de alecrim q.b.
pimenta e mostarda em grão moída q.b.

Pré-aqueça o forno a 200ºC e forre dois tabuleiros com papel vegetal.

Lave bem as batatas e corte em rodelas com cerca de 4mm de espessura, ou como conseguir, eu coloquei as minhas no robot de cozinha para se mais fácil. Coloque as rodelas de batata numa taça, rege com o azeite, tempere com o sal, a paprika e misture tudo muito bem com as mãos.

Espalhe as batatas nos tabuleiros e leve ao forno por cerca de 25 minutos, ou até estarem estaladiças, virando-as a meio do tempo de cozedura.


Enquanto as batatas estão no forno, lave os espinafres e coloque-os num prato grande. Adicione o aipo picado, o nabo e a maça com casca, cortados (tipo Juliana). Para não oxidarem, depois de cortar a maça e o aipo, coloque-os numa taça com água fria.

Para o vinagrete, coloque todos os ingredientes numa taça/almofariz ou utensílio para molhos e mexa tudo muito bem, até ficarem todos os ingredientes bem interligados, prove, e caso necessário rectifique os temperos.

Entretanto retire as batatas doces do forno e deixe arrefecer numa rede.

Retire as maças e o nabo da água fria e seque a água em excesso com ajuda de um pano. Junte aos espinafres e às batatas doces e tempere com o vinagrete e um pouco mais se sal de alecrim, caso seja necessário.

Mexa tudo com as mãos e sirva acompanhar um peixe ou carne grelhada.

Arroz selvagem de cenoura e bifes de peru dourados









Sempre vivi na cidade, mas lembro-me em criança do meu pai ter uma pequena horta ao pé de casa, tive a sorte de comer legumes biológicos e fruta "verdadeira" durante a minha infância. Adorava passar as tardes depois da escola, na nossa pequena horta a brincar. Tempos depois, esses terrenos cheios de hortas viraram prédios, para tristeza de todos os vizinhos, que por lá cultivavam. Começamos a ir aos mercados e mercearias, mas a diferença no sabor não era tão grande como agora. O meu pai, no entanto, começou a fazer da nossa varanda virada ao sol, um pouco o que eu faço com a minha agora, uma mini horta, com ervas aromáticas e tudo o que ela me consegue dar - MALVADA não deu mirtilos!!! 

Tenho a sorte de os meus sogros terem uma grande horta, apesar de não a cultivarem o ano inteiro, no verão, trago sempre o carro carregado de coisas. Esta receita foi fotografada ainda no mês de agosto, com umas cenouras biológicas de lá, foi engraçado, ver a cara deles quando lhes disse que ia fazer uma receita com a rama da cenoura. 

Para dar um bocadinho de personalidade aos bifes, fiz-lhes um molho bem ao meu gosto, especiarias e mel - perfeição em duas palavras.


Ingredientes: (4 pessoas)
200g de arroz selvagem Oriente rice
1 cebola
2 cenouras com a rama
3 dentes de alho
1/2 colher de chá de coentros em pó
1 mão cheia de salsa fresca
sal, mostarda em grão e pimenta em grão q.b.

4 bifes de perú
1 colher de sopa de mel
1 ou 2 colheres de sopa de água
1/2 colher de chá de açafrão das Índias
1/2 colher de chá de harissa em pó
1/2 colher de chá de mostarda Inglesa em pó
1 colher de chá de mostarda Dijon
sal, mostarda em grão, pimenta em grão q.b.

Comece pelo arroz que é o que leva mais tempo a cozer. Rale as cenouras, pique a rama de uma delas e reserve. Pique a cebola com os alhos e leve ao lume, num tacho com um pouco de azeite. Refogue uns minutos e adicione metade da rama da cenoura, previamente picada. Deixe ao lume uns segundos sem deixar de mexer e junte o arroz e a cenoura ralada. Mexa tudo muito bem e adicione a água (usei 2 vezes/meia a medida do arroz). Deixe levantar fervura e tempere com sal, pimenta, mostarda e os coentros em pó, deixe cozinhar em lume brando e vá mexendo de tempo a tempo, para o arroz não se pegar.


Enquanto o arroz coze, tempere os bifes com um pouco de sal, pimenta e mostarda em grão de ambos os lados.

Numa caçarola prepare o molho para os bifes. Em lume brando, adicione as especiarias, juntamente com o mel e 1 ou 2 colheres de sopa de água. Mexa tudo muito bem e deixe levantar fervura, se vir que o molho está demasiado espesso, junto um pouco mais de água. Vai ficar um molho com uma cor dourada linda e um pequeno travo picante mas com o doce do mel pouco se vai acentuar.

Grelhe os bifes numa grelha e sirva com o molho bem quente por cima.

O arroz sirva com salsa fresca picada por cima e a restante rama da cenoura.